Insonia, estresse e dor cronica lideram a busca por cannabis medicinal no Brasil
- Flores Brasil
- 31 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 2 de jan.

A cannabis medicinal deixou de ser associada apenas a quadros raros ou extremos no Brasil. Um levantamento nacional realizado em 2025 pela plataforma Blis Data revela um novo perfil de paciente: pessoas economicamente ativas, socialmente engajadas e em claro estado de esgotamento físico e emocional.
O banco de dados analisou mais de 30 mil anamneses coletadas em cerca de 1.900 municípios brasileiros. O cenário que se desenha é consistente: o estresse ocupa o topo das queixas clínicas, e a cannabis passa a integrar estratégias terapêuticas de quem busca melhorar o sono, o humor e a qualidade de vida.
Estresse em escala nacional: quando o corpo sinaliza limite
De acordo com o levantamento, o estresse é a condição mais frequentemente relatada entre brasileiros que procuram terapias alternativas, incluindo a cannabis medicinal. Entre as capitais com maior concentração de casos estão:
São Paulo
Brasília
Belo Horizonte
Florianópolis
Curitiba
O dado acompanha a realidade urbana contemporânea, marcada por jornadas extensas de trabalho, trânsito intenso, múltiplas responsabilidades familiares e exposição constante à hiperconectividade — fatores que favorecem a sobrecarga crônica.
Insônia: quando a noite não cumpre sua função
Os distúrbios do sono representam 18% dos atendimentos analisados. A maior incidência ocorre entre pessoas na faixa dos 41 aos 43 anos, com média nacional de 48 anos entre os pacientes insones.
As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram aproximadamente 75% dos relatos. Um dado que chama atenção é o registro de um paciente de 102 anos que buscou a cannabis medicinal para melhorar o sono, reforçando que a insônia não escolhe faixa etária.
O perfil de quem procura cannabis medicinal hoje
Entre os pacientes que buscaram acompanhamento clínico:
90% estão economicamente ativos
70% são casados
37% têm filhos
71% praticam atividade física regularmente
55% fazem uso de medicamentos alopáticos
53% consomem álcool com frequência
O perfil predominante é o de indivíduos funcionais, mas submetidos a altos níveis de desgaste físico e mental.
Esgotamento, dor crônica e diferenças de gênero
O estudo também evidencia recortes importantes entre homens e mulheres:
Entre os homens, o esgotamento mental lidera as queixas, presente em 65% dos casos
Entre as mulheres, a dor crônica se destaca mais do que estresse e insônia
Mais de 65% das pacientes mulheres são mães
O acúmulo de tarefas, a responsabilidade com o cuidado familiar e a sobrecarga emocional ajudam a compreender essa diferença nos padrões de adoecimento.
Memória, tristeza e saúde mental na maturidade
Os dados reforçam que os impactos na saúde mental não se restringem a jovens:
51% relatam falhas frequentes de memória
43% convivem com tristeza quase diária
Esses sintomas tendem a se intensificar na maturidade, fase em que demandas profissionais, familiares e emocionais costumam atingir seu auge.
O papel da cannabis medicinal nesse cenário
Para muitos pacientes, a cannabis surge após múltiplas tentativas terapêuticas, incluindo:
antidepressivos
ansiolíticos
indutores do sono
terapias integrativas diversas
Nesse contexto, a cannabis medicinal passa a ser utilizada como alternativa ou complemento ao tratamento convencional, com o objetivo de reduzir ansiedade, melhorar a qualidade do sono, modular quadros de dor crônica e favorecer o equilíbrio emocional — sempre com acompanhamento profissional.
Metodologia do levantamento
Os dados foram obtidos a partir de anamneses de pacientes que buscaram acompanhamento clínico com terapias alternativas, incluindo a cannabis medicinal. Foram analisados sintomas, histórico clínico e o impacto do estresse na rotina diária.
O panorama revelado é direto:
o estresse tornou-se parte da rotina
a insônia atravessa todas as idades
a tristeza persiste
a dor crônica não distingue gênero ou classe social
Nesse cenário, a cannabis medicinal deixa de ser tabu e passa a integrar uma nova discussão sobre cuidado em saúde — não como solução milagrosa, mas como uma possibilidade terapêutica real, baseada em acompanhamento clínico e individualização do tratamento.
Fonte: CNN


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